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“Uma Sociedade de Malucos Beleza: Quando o Trabalho Adoece em Silêncio”

*Claudio Starec & Giuseppe Russo


“É controlando minha maluquez, misturado com minha lucidez…”

Raul Seixas cantava isso lá atrás, mas parece que estava descrevendo o Brasil corporativo de hoje.


Enquanto a gente se esforça para “fazer tudo igual”, bater metas cada vez mais agressivas, parecer sempre forte, produtivo e equilibrado… algo sai do controle. E não é pouca coisa.


Crescem, em ritmo acelerado, os casos de ansiedade, burnout, depressão e outras doenças psicossomáticas dentro das organizações.

Ser “normal” nunca custou tão caro.


Quando a conta chega, ela chega alta


O alerta já foi dado — e não é de agora. A Organização Mundial da Saúde (OMS) coloca o Brasil no topo do ranking mundial de ansiedade. Somos, infelizmente, campeões em sofrimento emocional no trabalho.


E os números recentes mostram que o problema deixou de ser invisível:


■       Os afastamentos por transtornos relacionados à saúde mental cresceram 68% entre 2023 e 2024, segundo dados do INSS.

■        Isso impacta diretamente o dia a dia das empresas: mais absenteísmo, mais presenteísmo, aumento de custos, queda de engajamento e perda de talentos.

A música do Raul deixa de ser metáfora e passa a soar como trilha sonora do ambiente corporativo.


Durante muito tempo, fingimos que era “problema individual”


Por anos, saúde mental no trabalho foi tratada como algo periférico. Um tema “delicado”, resolvido com ações pontuais, palestras isoladas ou benefícios desconectados da realidade do trabalho. O sofrimento psíquico era visto como fragilidade individual — e não como resultado de metas inalcançáveis, pressão constante, sobrecarga, conflitos mal resolvidos e estilos de liderança adoecedores.


Esse cenário começa a mudar de forma mais clara com a NR-1, que entrou em vigor em 2025 e deixa um recado direto:

§   riscos psicossociais também são riscos ocupacionais — e precisam ser gerenciados como qualquer outro.


O que a pesquisa da ABRH RJ revela sobre a realidade do RH


A pesquisa realizada pela ABRH RJ em 2025, com empresas nacionais e multinacionais, escancara os desafios que o RH enfrenta nessa agenda:

🔹 Apenas 47% das empresas fazem a gestão dos riscos psicossociais de forma estruturada.

🔹 Só 53% dos profissionais de RH se sentem preparados para atuar nesse tema.

🔹 As principais barreiras ainda são:


  • falta de capacitação de líderes e do próprio RH;

  • pouco investimento;

  • resistência cultural;

  • estigmatização dos transtornos mentais.


🔹 53% das empresas ainda estão apenas na fase de diagnóstico, sem planos de ação consistentes.

🔹 Apenas 47% dos gestores de RH dizem ter autonomia real para conduzir iniciativas de saúde mental.

🔹 E somente 53% conseguem reservar tempo estruturado na agenda para tratar do tema de forma contínua.


Enquanto isso, os efeitos aparecem com força: ansiedade, depressão, afastamentos recorrentes, queda de desempenho, perda de talentos — tudo aquilo que o RH acompanha nos indicadores, mas que muitas vezes não consegue atacar na raiz.


Da obrigação legal à estratégia de negócio


Outro ponto crítico revelado pela pesquisa é a distância entre o que a NR-1 exige e o que acontece na prática. Em muitas empresas, os aspectos emocionais ainda são tratados de forma reativa — só quando o adoecimento já explodiu.


A NR-1 é clara: riscos psicossociais devem seguir a mesma lógica dos demais riscos ocupacionais: ✔ identificar ✔ avaliar ✔ controlar e  ✔ prevenir


Para o RH, isso significa sair do papel operacional e atuar de forma integrada com lideranças, SESMT e alta gestão. Significa rever a forma como o trabalho é organizado, como as metas são definidas, como as pessoas são lideradas, como a comunicação fui e como as relações são construídas no dia a dia.


O RH como protagonista da saúde mental no trabalho


Os dados da pesquisa e a realidade das organizações apontam para uma direção sem volta:

 saúde mental não é benefício, é estratégia.

A NR-1 cria o marco regulatório, mas quem transforma isso em prática é o RH. Não se trata apenas de cumprir norma, mas de criar ambientes de trabalho mais saudáveis, sustentáveis e produtivos.


Cuidar da saúde mental vai muito além de oferecer apoio psicológico. Envolve questionar processos, metas, estilos de liderança e culturas que adoecem silenciosamente.


Talvez seja hora de ressignificar o “Maluco Beleza”. Não como quem enlouquece tentando se encaixar, mas como quem tem coragem de misturar lucidez com humanidade.


Porque, no fim das contas, organizações saudáveis começam por pessoas que não precisam adoecer para serem reconhecidas e valorizadas. Beleza?


Quer saber mais sobre esse assunto? então não perca o Fórum ABRH RJ sobre NR1 que será no dia 04 de fevereiro no Centro Cultural da Fundação Getúlio Vargas, na Praia de Botafogo.

 
 
 

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