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Evolução Cultural nas Empresas: O Desafio de Construir uma Identidade

*Adolfo Furtado


A cultura é o que sustenta valores, orienta decisões e cria vínculos entre pessoas e organizações. Porém, ao acompanhar de perto processos de evolução cultural em diferentes empresas, percebo um ponto que se repete: a falta de identidade.


Muitas iniciativas são bem-intencionadas, mas acabam se fragmentando em ações desconexas, sem uma linha mestra que traduza sobre “quem é aquele RH” ou “quem é aquela empresa” e quais caminhos levarão a uma evolução forte e consistente.


Não é raro ver empresas investindo em campanhas, programas e rituais criados pelas áreas de Recursos Humanos e Comunicação que, embora criativos, não traduzem a essência da organização e muito menos as mudanças que são a tônica de uma vida corporativa, e essa desconexão gera confusão e até desengajamento.


Em empresas com diversas unidades, por exemplo, o desafio é maior, e essa fragmentação se acentua. Cada área, no esforço de ser proativa, cria processos próprios e até dá nomes inspiradores a projetos. O resultado, porém, é a multiplicação de símbolos e linguagens que não reforçam uma narrativa comum.


Já vivenciei situações em que todos se diziam engajados em um grande programa cultural, mas ao visitar diferentes unidades, encontrei nomes, símbolos e processos diversos, cada um falando uma língua. Para os líderes operacionais, isso tornava complexo compreender qual era, de fato, o propósito de tanto investimento em tempo e recursos.


Essa falta de identidade mina a credibilidade da evolução cultural e do time de recursos humanos. Em vez de ser um organismo vivo e integrado, a cultura se fragmenta em pequenas “ilhas”.


A ausência de identidade cultural sólida não é fruto apenas de desatenção, mas de algumas armadilhas comuns, e por que isso acontece?


Pressa por resultados rápidos, líderes querem mostrar entregas imediatas; modismos corporativos e ações copiadas do mercado, mas sem conexão com a realidade interna; falta de diálogo entre áreas como RH, Comunicação e líderes que seguem rotas paralelas e; distância entre discurso e prática, valores comunicados, mas não vividos.


Alguma dessas armadilhas estão armadas ai na sua empresa?


Parece obvio, mas claramente não é, e ainda sinto que é necessário colocar luz em alguns pontos. Então, para que a evolução cultural seja consistente, alguns movimentos são essenciais e ainda carecem de estudo e crença das organizações:


Escuta ativa – compreender a percepção de colaboradores e lideranças sobre a identidade da empresa;


Narrativa coerente – alinhar todas as iniciativas de RH e Comunicação a um fio condutor único, que seja facilmente reconhecido em qualquer unidade;


Práticas consistentes – símbolos, rituais e políticas precisam reforçar a mesma identidade, sem criar contradições internas;


E o mais importante:


Liderança exemplar – líderes devem viver os valores declarados, traduzindo-os e amarrando-os em práticas cotidianas.


Quando a identidade é clara e coerente, a cultura deixa de ser apenas discurso e se torna prática diária. E é nesse ponto que a evolução cultural ganha força: quando cada colaborador, em qualquer lugar da empresa, reconhece no dia a dia quem a organização é e para onde está caminhando.


Enfim, a evolução cultural não é sobre multiplicar slogans, nomes criativos ou campanhas motivacionais isoladas. É sobre construir e reforçar uma IDENTIDADE capaz de atravessar áreas, hierarquias e unidades de negócio.


Adolfo Furtado

Executivo de Recursos Humanos

 
 
 

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