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UM PILAR IMPORTANTE NO TEMA DA DIVERSIDADE

Myrna Silveira Brandão


Este texto se inicia com um conselho importante: assistam ao filme “A Baleia”, de Darren Aronofsky, que estreia no circuito em 23 de fevereiro.


Na sequência, as razões desse forte pedido.


Como é sabido, principalmente por pessoas da área, vários pilares estão presentes em questões ligadas à diversidade: gênero, racial, LGBTQIA+, deficiência, imigrantes, refugiados e outros. Há um, no entanto, que tem passado despercebido, mas que vem tendo um grande crescimento com o aumento do preconceito e discriminação, presença nas organizações, na cabeça de muitas pessoas, enfim na sociedade de um modo geral: o preconceito contra a obesidade.


E é disso que trata esse excelente filme. Adaptado por Samuel d. Hunter de sua peça homônima, o intenso drama nunca deixa de lado suas raízes no palco, mas as transcende com as camadas de dor, desespero, amor e esperança.


Resumindo do que se trata, a história segue Charlie (Brendan Fraser), um professor de 270 Kg e, em função disso, mas principalmente em função de tudo que acontece ao seu redor, repleto de problemas emocionais. No desenrolar da história, o filme vai fundo no sofrimento do personagem e traz à tona como esse novo pilar da diversidade vem afetando inúmeras pessoas.


É importante que as organizações e principalmente a área de Recursos Humanos atentem para o fato e acrescente aos seus programas de Diversidade esse pilar em todas as fases nas quais os demais são reconhecidos e combatidos.


Lançado no Festival de Veneza, em setembro do passado, Brendan Fraser recebeu quase 10 minutos de aplausos no final da exibição do filme. O ator é um dos mais cotados para o Oscar. Fraser precisou se transformar fisicamente para viver o personagem.


“O que destaco em “A Baleia” é como nos convida a ver a humanidade dos personagens, as nuances que têm como qualquer pessoa”, disse o diretor, na coletiva após a projeção, que se interessou em adaptar a peça desde que a viu, mais de dez anos atrás.


Fraser, por sua vez, contou que teve uma entrega total ao personagem, como nunca fizera antes, para mostrar toda a força e vulnerabilidade de Charlie. “Ele tem uma melancolia que o paralisa, que vem do fato de nunca poder ter sido a pessoa que queria ser. Ele carrega e convive com inúmeros sentimentos”, explicou.


Fraser também defende o personagem, em face de algumas de suas atitudes e comportamento, pois o considera uma vítima. “Quando diz aos seus alunos que precisam encontrar uma maneira de dizer a verdade, no fundo, ele está falando isso para si mesmo”.


O diretor confessa que sempre esteve próximo de Fraser durante todo o processo, a fim de protegê-lo pois sabia que, ao entrar no personagem, o ator também ficaria muito fragilizado emocionalmente.


“Preconceito contra a obesidade é uma das últimas fronteiras das formas de uma pessoa menosprezar a outra. Muitas vezes, as pessoas do tamanho de Charlie são invisíveis, vistas apenas por suas família e cuidadoras. É uma forma de silenciá-las. Conversando com essas pessoas, percebi que, como qualquer uma, elas querem ser tratadas de maneira justa e honesta.


“Isso tudo foi um impulso para me levar à autenticidade do personagem e ao drama vivido por ele”, complementou Fraser.


Em última análise, o diretor e Hunter com esse filme devastador, mas necessário e oportuno, surpreendem o público desde o início, não apenas expondo a obesidade severa de Charlie, mas revelando que, à parte a presença física, ele pode e deve ser igual a qualquer outro ser humano e não mais uma vítima do preconceito e discriminação.


*Artigo escrito por Myrna Silveira Brandão, Membro da Diretoria Executiva da ABRH-RJ.

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