Madagascar
NA LUTA DAS PRODUTORAS QUEM GANHA É O ESPECTADOR
Propostas mais inovadoras ameaçam Império da Disney
por: Myrna Silveira Brandão
Certamente, todos nós nos lembramos dos desenhos animados que povoaram nossa infância: a Cinderela, a Bela Adormecida, a Branca de Neve. Era um tempo em que a Walt Disney Pictures reinava absoluta, um tempo em que desenho animado e Disney eram quase sinônimos. Só que aquele tempo foi mudando, e o poderoso estúdio não percebeu que as histórias de princesas, príncipes encantados e o “felizes para sempre” já não seduziam tanto. Ao amargar alguns fracassos e, literalmente, tomar um susto com o sucesso na bilheteria e na crítica de filmes como FormiguinhaZ, de Eric Darnell - o primeiro desenho produzido pela Dreamworks - e Shrek, que lhe tirou o Oscar concedido pela primeira vez a filmes de animação (justo dela que lutou anos para a criação desse prêmio), a lendária produtora finalmente viu que o mundo onde reinava absoluta havia mudado , que deitar nos louros ou repetir fórmulas já não convenciam tanto. E resolveu mudar também : mudou seus filmes, seus temas, seu estilo e até sua forma autônoma de produzir, através da realização de uma parceria com a Pixar Animation Studios, responsável pela realização dos bem sucedidos Procurando Nemo e Os Incríveis.
Nessa disputa quem ganha evidentemente é o espectador brindado com mais um interessante desenho animado que chega ao circuito. A Dreamworks, em outra parceria com Eric Darnell, que juntamente com Tom Mcgrath explora um território ainda virgem nas animações computadorizadas, acaba de lançar Madagascar.
A história gira em torno de quatro amigos num zoológico de Nova York : Alex, o leão, Marty, a zebra, Glória, a hipopótama e Melman, a Girafa.
Inimigos naturais no ambiente selvagem – e protegidos por uma série de mordomias, asseguradas pelo cativeiro – o que aconteceria se eles voltarem à selva?
Isso vamos saber quando Marty, curioso em saber o que existe fora daqueles muros, decide fugir para explorar o mundo. Ao perceber a fuga , Alex – a grande atração do zoológico – Glória e Melman decidem partir à sua procura mas acabam capturados, embarcados num navio e enviados à África.
Lá eles são colocados em liberdade e acabam na ilha de Madagascar, onde precisarão lutar para sobreviver numa selva de verdade. Na lei do “salve-se quem puder”, já não mais serão tão amigos quanto antes, a ponto de o leão tentar “jantar” a zebra, da qual era amigo quando ambos habitavam a mesma jaula no zoológico.
Parte dos desenhos de storyboard da produção 3D foi realizada por Ennio Torresan – autor do curta de animação El Macho, premiado em Havana – e mais um brasileiro que faz sucesso lá fora no mundo dos desenhos animados.
As lições de Madagascar podem ser aplicadas ao mundo dos humanos? Certamente podem. Nem sempre comportamentos amistosos e afetivos são os mesmos quando os tempos de paz e fartura se vêem ameaçados.
Esse é sem dúvida um dos melhores motes de Madagascar, que embora não tenha o mesmo apelo de Formiguinhaz, é um filme divertido, com boas cenas de humor ajudadas pela adequada trilha sonora de Hans Zimmer.
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