Fabio Santos Ribeiro - Presidente Executivo da ABRH-RJFábio Santos Ribeiro – Presidente Executivo da ABRH-RJ eleito para 2010-2012
“Novos ares para a Gestão com Pessoas”
Pela primeira vez na história de 43 anos da ABRH-RJ os associados puderam votar exclusivamente pela Internet – não houve voto presencial. Transparência, tecnologia e muita interatividade devem marcar as próximas ações da ABRH-RJ na gestão de Fábio que começou no último dia 29 de janeiro de 2010 e irá até 31 de dezembro de 2012. Vídeo conferência e outros meios modernos de comunicação devem ser usados para permitir a participação de voluntários que queiram contribuir com o seu conhecimento para o desenvolvimento das práticas em Gestão com Pessoas.
Por Alexandre Peconick
Casado e pai de três filhos, este carioca é o atual vice-presidente da ABRH-RJ. Com Mestrado em Human Performance Technology pela BSU (Boise State University – Idaho - EUA), Fábio é atualmente sócio diretor da HPT Consultoria e confessa ser um apaixonado pelo voluntariado. Engenheiro de produção pela UFRJ com extensão em Administração pela Coppead, foi professor de Pós-Graduação do IBMEC. Possui grande experiência como executivo e consultor com diversos projetos de aprendizado e melhoria de desempenho em empresas como Shell, Sonangol (Angola) McDonald's, Coca-Cola, Contax, Petrobrás, Unilever e Abbot.
Leia a seguir a entrevista completa que serviu de base para a matéria publicada na Coluna da ABRH-RJ em O Globo do dia 10 de janeiro.
SITE DA ABRH-RJ - Como você enxerga o atual cenário da Gestão de Pessoas em relação ao mercado econômico e social?
Fábio Ribeiro – A área de Recursos Humanos é muito sensível às pressões da Economia. Mesmo porque há questões que desafiam o engajamento das pessoas ao mesmo tempo em que elas precisam se submeter a uma realidade econômica. Em última instância: muitas vezes o capital intelectual da empresa sofre nesses momentos de dificuldade. Por outro lado, vivemos também uma situação inversa. Há um cenário favorável para o Brasil, indicando que somos realmente um país com extremo potencial de crescimento, com vários projetos grandes, como os eventos do porte de uma Olimpíada ou uma Copa do Mundo, o porto do Rio e o pré-sal, que criam grande pressão por gente qualificada. Nesse contexto de insuficiência de qualificação e de empregabilidade torna-se natural surgir inflação de salários.
SITE DA ABRH-RJ – Inflação de salários?!
Fábio Ribeiro – Isso mesmo! Já é uma realidade no Brasil e o Rio vai sentir isso em breve. Colocaria que o grande desafio do RH das empresas em 2010 será a captação de gente qualificada. Devo treinar pessoas ou procurar profissionais qualificados? Como fazer? Este será o fato mais significativo nos próximos três anos.
SITE DA ABRH-RJ – Qual você considera que seja a maior carência de demanda dos gestores para a qual a ABRH-RJ poderá efetivamente contribuir?
Fábio Ribeiro – Devemos ampliar a visão daquilo que pensamos como ABRH-RJ. Podemos nos aproximar melhor ao mesmo tempo das empresas privadas e do Estado (setor público). E a ABRH-RJ também deve ser um canal e agente de aproximação entre ambos – empresas privadas e Estado – para que possa atingir suas conquistas. Precisamos entender melhor onde estão estas áreas de oportunidade e, dentro desta linha, disseminarmos informações às pessoas por meio dos profissionais atuantes de RH.
SITE DA ABRH-RJ – Nos eventos de 2009 houve aceleração desse processo de trazer líderes de empresas fortes para as discussões de ABRH-RJ. Você vai aprofundar esta prática em 2010 em sua gestão?
Fábio Ribeiro – Sim, vamos aprofundar muito. Inclusive o nosso Conselho Deliberativo é bem corporativo. Queremos que a ABRH-RJ seja daqui para frente a “voz empresarial sobre Recursos Humanos”. Que estejamos bastante alinhados com a área decisória das empresas porque dessa forma, o próprio governo, em todas as suas instâncias, ouvirá mais o que a ABRH-RJ tem a dizer. E também para que o governo tenha condições de ver a ABRH-RJ como um caminho para chegar às empresas e mobilizar de diversas formas a iniciativa privada para aprimorar a economia do Estado do Rio.
SITE DA ABRH-RJ – E qual é exatamente a sua intenção com esta medida?
Fábio Ribeiro – Pretendo agregar tanto a importância da representatividade dessas pessoas, como também ouvir delas quais são suas necessidades. Quando trazemos o líder de RH aos encontros que realizamos, alcançamos uma mobilização interessante e uma percepção de valores muito grande. A ABRH-RJ faz com intensidade o papel do canal para o encontro de pessoas. O aprendizado está justamente na reunião, na comunicação e na troca de informações entre elas. Em eventos que fizemos com líderes vimos inovações ótimas, como um banco de horas reverso, ou seja, as pessoas durante a crise trabalharam mais e guardaram essas horas para poderem folgar depois. Tudo isso evitou a queda dos salários. Essas ideias vindas de um diretor de uma empresa têm a possibilidade de se multiplicar de uma maneira saudável em outras organizações.
SITE DA ABRH-RJ - Que novidades interessantes o associado da ABRH-RJ terá já neste ano de 2010 em termos de gestão e estrutura dos eventos?
Fábio Ribeiro – Alguns pontos interessantes. Ao longo dos últimos anos a ABRH-RJ conquistou um reconhecimento muito forte e começou a desenvolver vários eventos. Vamos facilitar a programação das pessoas e otimizar a agenda da Associação, pois passaremos a realizar eventos mensais (com duração de um dia inteiro) onde serão abordados temas e metodologias diversas.Ou seja, basta que o associado dedique apenas um só dia por mês para participar dos eventos promovidos pela ABRH-RJ e estará atualizado em diversos assuntos ligados ao mundo de Gestão com Pessoas. Outro ponto importante é que a divulgação dos eventos será bem antecipada. Isso significa que o associado irá poder programar-se com antecedência, o que diminui a possibilidade de deixar de participar de algum evento!
SITE DA ABRH-RJ – E os eventos nos Núcleos regionais continuarão acontecendo?
Fábio Ribeiro – Procuraremos também estar agendando previamente os Fóruns dos Núcleos Regionais. O que estamos focando não é a interiorização, mas a cobertura de todos os profissionais e seus respectivos temas em Recursos Humanos. Queremos que todos os RHs, dentro de suas necessidades, percebam valor de conteúdo dentro da ABRH-RJ. Dependendo do tipo de empresa, cada pessoa tem uma percepção de valor. Um profissional que começa a sua carreira tem uma necessidade instrumental maior, enquanto uma pessoa que está em um nível de liderança tem uma necessidade de maior intercâmbio, relacionamento e visão de mercado. São necessidades diferentes, mas complementares.
SITE DA ABRH-RJ – Mas e a estrutura...?
Fábio Ribeiro - Voltando à estruturação; teremos a continuidade dos eventos com os presidentes (CEOs) e diretores de empresas, os mensais e os eventos regionais. É imprescindível dar atenção aos profissionais que têm dificuldade logística de estar sempre vindo à cidade do Rio de Janeiro. Para dar mais suporte aos eventos e outras ações da ABRH-RJ, tendemos a ampliar a comunicação em nosso site que hoje conta com mais de 20 mil entradas por mês e um potencial de crescer ainda mais. Sabemos que os eventos são experiências marcantes que não podemos substituir. Mas serão programados. A agenda dos eventos 2010 deve ser divulgada em fevereiro, após o carnaval.
SITE DA ABRH-RJ – Mesmo que você esteja implantando novidades, devemos também falar sobre alguma continuidade de um trabalho anterior, já que você era o Vice-Presidente Executivo na gestão de Leyla Nascimento. Nesse sentido, quais foram as maiores lições deixadas por Leyla para que você possa realizar sua gestão?
Fábio Ribeiro – A Leyla é uma super-líder. Ela deixou a convicção de que o “ser voluntariado” é uma atividade muito diferente. Primeiro você tem que se firmar no seu propósito; por sua vez, as outras pessoas têm que perceber essa sinceridade e clareza. Isso é o que as mobiliza. É preciso que os propósitos valham à pena. Segundo, aprendi a lição de que é necessária uma dedicação mesmo apesar das dificuldades que temos em ser voluntários. E as melhores pessoas são sempre as mais ocupadas. A única forma de obter o compromisso e atingir o resultado em uma associação é através da obtenção do propósito comum fazendo com que as pessoas ofereçam um esforço extra sem nenhuma expectativa de retorno financeiro. Este é um ponto que me motivou a candidatar à Presidência da Diretoria Executiva da ABRH-RJ. Outro ponto fundamental é o de que uma associação, como não tem fins lucrativos, vive de credibilidade, ou seja, precisamos ter transparência de propósitos! Estamos abertos à participação das pessoas. A minha maior lição com a Leyla é mesmo a de acreditar que podemos fazer muito diferente em pouco espaço de tempo.
SITE DA ABRH-RJ – Seguindo esta filosofia, sua gestão também será REALIZADORA?
Fábio Ribeiro – De certa forma sim. Acredito que ainda há muita coisa a ser feita, mas vamos aproveitar muito do que já foi construído. Como? Construímos uma marca forte ao longo dos últimos anos, mas precisamos transformar essa marca em acesso às pessoas; porque nosso principal objetivo é o dar suporte ao profissional de RH. Então queremos que a base de associados se expanda também qualitativamente. Um outro foco grande que teremos nos próximos três anos estará nas pequenas e médias empresas. Nessas organizações muitas vezes “o que é sociedade”, “o que é gestão”, “o que é RH”, se confunde. Temos que ir muito além do “falar com gente de RH”, mas precisamos “falar com gente que cuida de gente”. Vamos respeitar os empreendedores que têm necessidades diferentes e que se atraem pela ABRH-RJ.
SITE DA ABRH-RJ - A ABRH-RJ intensificou nos últimos anos sua busca por novos nichos de mercado estabelecendo parcerias. Como você pensa no termo PARCERIA para os próximos anos?
Fabio Ribeiro – Sem sombra de dúvida a parceria é muito importante e deve estar sempre baseada em interesses comuns e complementares, evitando pontos conflitantes. Quando iniciamos uma aproximação com alguma instituição já percebemos essa situação de complementaridade. Por exemplo, há instituições com muito boa penetração no interior do Estado do Rio, mas sem um conteúdo especifico para a área de RH. Essa instituição pode ser uma parceira com regras bem claras de convívio e objetivos claros. A ABRH-RJ utiliza espaços de outras instituições para seus eventos e para isso precisamos sempre atender aos interesses de ambas. Vamos continuar aumentando o número de parcerias e, sobretudo, incrementar e solidificar aquelas que já temos. Somos todos aprendizes de como tornar esse compromisso produtivo.
SITE DA ABRH-RJ - Hoje se aborda muito em gestão participativa e as duas últimas gestões da ABRH-RJ, com Leyla Nascimento à frente, tiveram este traço marcante. Nessa linha, de que forma você envolverá diretores, conselheiros e voluntários em sua gestão? Isso será intensificado? Você vai usar também a tecnologia no auxílio a esse tipo de envolvimento?
Fabio Ribeiro – Sim. Hoje temos que ser conscientes de que a oferta de conteúdo e a disputa pela agenda de um gestor de pessoas são enormes. E esta procura gera estresse para eles. Muitas vezes quando convidamos uma pessoa para uma função dá um frio na barriga dela em não saber se vai dar conta de assumir. Até por isso, vamos procurar usar um pouco mais de tecnologia, gestão de projetos, estruturando todas as ações com uma gestão de comunicação mais clara. Esclarecendo: queremos virtualizar os contatos e as relações dos voluntários da ABRH-RJ em todos os níveis para que assim estes voluntários possam reservar agenda para o convívio com o associado da ABRH-RJ. Dessa forma, faremos reuniões remotas, sejam por vídeo conferência ou por telefone (conference call), entre outros meios. Usaremos ambiente virtual para registro de conhecimentos ou para produtos que estão sendo desenvolvidos. Já o fazemos em alguns casos principalmente no Comitê Temático do Congresso RH-RIO, mas queremos expandir para outras ações dentro da ABRH-RJ.
SITE DA ABRH-RJ - O Congresso RH-RIO 2010 vai motivar as pessoas para que elas ajam dessa forma virtual e vivencial?
Fabio Ribeiro – O Congresso RH-RIO 2010 trará algumas surpresas com relação ao ponto de vista dos participantes em geral, ou seja, do público. O evento colocará o público participante no papel de agente dessa ação. Dessa forma, pessoas que se inscrevem para assistir palestras e ver estandes, também poderão dar o seu depoimento para a comunidade de Recursos Humanos.
SITE DA ABRH-RJ - A ABRH-RJ espera que esse formato proativo e vivencial seja, de certa forma, “comprado” pela empresas no sentido de que eles se motivem a implantar em seus ambientes de trabalho?
Fabio Ribeiro – Precisamos encarar que o RH deve ser um agente da mudança para capacitar pessoas em função de promover as transformações. Muitas vezes as pessoas têm a intenção de mudar, mas a execução não acontece. E nós da ABRH-RJ temos estes mesmos desafios. O maior papel da ABRH-RJ é justamente o de conciliar a questão de dar ao gestor a visão do que ele precisa fazer, mas ao mesmo tempo estar consciente das dificuldades que ele tem para colocar isso em prática. Ou seja, temos que ser aliados dos gestores para ajudá-los a cumprir, na práticas seus desafios de gestão. Se o mundo está se virtualizando, então temos que encarar tal fato para vivê-lo com os gestores. Queremos aproveitar o momento para neste Congresso colocar parte dessas ideias magníficas em prática. Por isso, vamos tentar criar um ambiente que permita essas mudanças.
SITE DA ABRH-RJ – E como isso será feito?
Fábio Ribeiro - Teremos um mix interessante de conferencistas, aliado à forma como o conteúdo será apresentado, disponibilizando ao participante uma oportunidade de interagir com esse conteúdo. Queremos colocar as pessoas na posição de realizadoras e não apenas de aprendizes. Se temos muitas experiências boas no palco, por que não considerar que elas também estão em meio ao publico.
SITE DA ABRH-RJ - Existe algum projeto da ABRH-RJ para se registrar e reter mais conteúdo em benefício do associado?
Fábio Ribeiro – Hoje até nós questionamos se o Comitê Temático do RH-RIO não deveria fazer isso. Porque o trabalho desse Comitê é fantástico. Primeiro fazemos uma leitura do que está acontecendo, depois tentamos descobrir qual tema seria mais adequado, depois vemos se esse tema se refere a um universo de conhecimento e, finalmente, tentamos transformar tudo isso em valor para o participante e visitante do Congresso. Só esse processo já mereceria uma documentação. Mas a tendência é que possamos fazer isso via site da ABRH-RJ de múltiplas formas, em texto, em vídeo. Até porque cada pessoa tem uma expectativa diferente sobre o mesmo evento.
SITE DA ABRH-RJ - Nos próximos anos a Cidade e o Estado do Rio terão um envolvimento muito forte com a construção dos Jogos Olímpicos Rio 2016. A ABRH-RJ espera contribuir de alguma forma? Como isso efetivamente poderá ocorrer?
Fábio Ribeiro – Claro que queremos nos envolver com os Jogos Rio 2016. Seja pelo lado econômico do impacto que estas ações terão para o Estado do Rio, como também o legado do evento. Afinal, há problemas a serem solucionados antes do evento: vamos precisar de muitas pessoas qualificadas e também de voluntários em grande quantidade. A compreensão da forma de como contribuir está em desenvolvimento. Vamos intensificar nosso papel de canal entre o Estado e iniciativa privada. E certamente mobilização será uma palavra chave nesse processo. Tenho certeza de que a ABRH-RJ terá um desafio intenso e monumental com os Jogos Rio 2016. Mas nos preocupamos muito com o legado. A face dessa Olimpíada deve ser as pessoas do Rio e não o Pão de Açúcar ou as praias e o Corcovado. Meu sonho é que o símbolo olímpico seja o sorriso do carioca, mostrando que somos competentes.
SITE DA ABRH-RJ – Para finalizar, o que representa para a sua carreira e para o seu “ser voluntário” assumir o cargo de Presidente da Diretoria Executiva da ABRH-RJ?
Fabio Ribeiro – Pessoalmente é uma realização, pois sinto que tenho uma missão a cumprir. O prazer com a ABRH-RJ é tão grande que preciso controlar a questão do desafio de agenda. Fazer a fronteira nem sempre é tão fácil. Ao ser Presidente da ABRH-RJ você se expõe a um grande número de pessoas e isso é uma grande e positiva responsabilidade. Adoro me colocar essa pressão. E se torna um grande desafio na medida em que sou pai de três crianças pequenas que requerem minha atenção. Tenho como meta sempre criar valor para o meu cliente que é o associado da ABRH-RJ. Então mesmo sendo voluntário, terei a rigorosidade de uma empresa, sempre observando a máxima ética em todas as ações. Espero construir tudo isso e entregar depois à mão de alguém que vai tratar isso com seriedade.
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