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"QUE LIÇÕES ESTES JOGOS OLÍMPICOS DE PEQUIM 2008 TRAZEM À REFLEXÃO PARA OS GESTORES DE PESSOAS?"

Fábio Santos Ribeiro

Pequim 2008 ficará na nossa memória pela sua estética, tecnologia, organização e pelo número de medalhas de ouro da China.

 

Sob á ótica de gestão de pessoas duas áreas logo nos interessam pela possibilidade de aplicação no mundo empresarial: a organização de um empreendimento tão complexo e o alto desempenho dos atletas. Mas é perigoso fazer analogias simplistas e tirar conclusões precipitadas já que as Olimpíadas são um mega empreendimento que culmina com um evento da empresa chamada COI. Vejo nas olimpíadas mais do uma fonte de exemplos “copiáveis” uma grande vitrine da Gestão e laboratório de comportamento humano. Nesta perspectiva me pergunto sempre “por que funciona assim?”,  “este é um caso particular, ou há uma generalização uma mecânica por trás deste comportamento ou resultado?”

 

Destes questionamentos seleciono abaixo quadro como alimento para o cérebro dos nossos Gestores de Pessoas.

 

Planejamento simplifica a execução

Não há estoques, manutenção tempo para pensar e corrigir: numa olimpíada tudo é em “tempo real”, usando o termo de TI. Se não planejar não acontece; e fica claro que em Pequim o planejamento foi minucioso.

 

Como Gestores de Pessoas (GP) devemos entender que sem planejamento não estabelecemos  papeis, responsabilidades e procedimentos. De uma maneira simples:  o fator numero um para um bom desempenho de uma pessoa é que ela saiba o que se espera dela. Para ser mais preciso, pesquisas mostram que 35% dos problemas de desempenho tem sua causa na falta de informação do que se espera da pessoa e de como vai seu trabalho.

 

Pensar o dia a dia como ensaio e o ensaio como a estréia

Aqueles 8.000 percursionistas que tocavam os tambores no evento de abertura dos Jogos tiveram que ensaiar durante 10 meses. Estar pronto para o evento depende diretamente de buscar a perfeição em cada ensaio.

 

Nas empresas os GP devem pensar o dia a dia como um permanente treinamento: um ensaio com alto grau de expectativa. Mas fica o desafio: não há a motivação da estréia. Por isso, gerenciar é fugir do contínuo, criar uma “estréia”, momentos de reconhecimento, rituais,  e momentos que compensem o esforço necessário para fazer bem feito.

O esporte não é nobre, as regras é que são bem definidas e as conseqüências impostas

 

Apesar da inspiração que os esportes nos dão, não estamos vendo naquele espetáculo uma perfeita coordenação de pessoas que compartilham os mesmo objetivos e princípios: elas estão sim sob as mesmas regras.  Pessoas de várias culturas, idades, classes sociais e desempenho se respeitam porque construíram valores a partir das regras e não ao contrário. Trazendo para o mundo das empresas, os GP devem se preocupar em ter regras de desempenho claras e gerar conseqüências para os bons e maus comportamentos e desempenhos.

 

O terceiro colocado vai mais feliz para casa que o segundo colocado?

Entender os motivadores de cada pessoa é fundamental. Os seres humanos buscam significado em suas vidas criando objetivos, que por sua vez são confrontados com os resultados obtidos. Alguns atletas se satisfazem pelo fato de irem à olimpíada, outros podem se frustrar se não conquistaram 8 medalhas de ouro. Em esportes de confronto direto como o Judô,  o atleta ao receber uma medalha de bronze termina as olimpíadas com uma sensação de vitória enquanto que um medalhista de prata termina com uma sensação de derrota.

 

Gerir Pessoas exige conhecer os motivos: o que move as pessoas participar, ganhar alguma medalha, ganhar 10 medalhas de ouro, todos são motivos legítimos.

 

Os aros das Olimpíadas simbolizam a diversidade pessoas em harmonia e conectada gerando alto desempenho. Tenho certeza que nós Gestores de Pessoas temos muito a aprender com estes aros.

 

* Fábio Santos Ribeiro é Vice-Presidente da ABRH-RJ

 



Estádio "Ninho de Pássaro" em Pequim



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