ÉTICA E CIDADANIA NO PROCESSO EDUCATIVOfonte: Myrna Silveira Brandão
O cineasta francês Laurent Cantet vem sendo cada vez mais conhecido por abordar em seus filmes o tema do mundo do trabalho envolvendo questões de desemprego, cidadania, ética, sustentabilidade, padrões culturais, desenvolvimento e educação.
Numa breve passagem por sua carreira, isso já fica evidente. Na sua estréia em longas – “Recursos Humanos (Resources Humaines)” – um dos seus filmes mais elogiados e premiados, Cantet faz uma análise sobre a área de gestão com pessoas na França, através da história de um estagiário que, contratado para trabalhar numa empresa, acaba sendo indiretamente um dos responsáveis pela demissão de seu próprio pai, antigo funcionário da fábrica.
Seguiu-se “A Agenda”, que impressiona pela veracidade com que descreve o drama de um homem que acaba de ser demitido, perde suas referências e acaba dominado por atos absurdos.
“Entre Les Murs”, seu novo filme – que após ganhar a cobiçada Palma de Ouro em Cannes, recebeu o status de abrir o Festival de Nova York – segue a mesma linha.
A história acompanha uma turma de alunos numa escola da França e traz reflexões sobre o valor da democracia, o respeito e os requisitos éticos do processo educativo.
Através de um misto de realidade e ficção, o filme fala dos problemas e conflitos dos alunos de uma escola situada em um bairro francês, onde a população é predominantemente composta de imigrantes.
Procurando seguir os princípios propostos no título do seu trabalho, Cantet tenta seguir o perímetro marcado pelos muros do instituto, lugar em que o professor François, se dedica ao seu trabalho, de pedagogo e mentor, na dura busca de conviver com alunos marcados pelos estigmas de sua condição social.
Como nos seus filmes anteriores, Cantet se mostra um exímio diretor de atores que, em “Entre Les Murs”, têm um ótimo desempenho, principalmente os alunos que compõem aquela turma transitando entre o tênue limite da normalidade e uma explosão iminente.
“O mundo está em constante mudança, mas os problemas, a busca de soluções e a própria vida continuam”, afirma o engajado diretor.
Com obras sempre inspiradas em histórias reais, outra característica forte do diretor, Cantet centra o cotidiano da vida como tema principal de seus filmes, procurando sempre abordar tramas que aconteceram ou podem vir a acontecer.
Como ele mesmo afirma: “A vida – e sua realidade – é muito complexa e o bom do cinema é que ele pode levar as pessoas a refletirem sobre esse conceito”.
De fato, “Entre Les Murs”, numa mensagem humanista e inovadora, se constitui em mais uma lúcida reflexão do diretor francês sobre a turbulência da sociedade contemporânea e o que todos nós podemos fazer em prol de um planeta melhor e do desenvolvimento dos seres humanos.
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