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UMA HISTÓRIA REAL DE HEROISMO E SUPERAÇÃO DE OBSTÁCULOS

fonte: Myrna Brandão

 

Quando o filme Hotel Ruanda, de Terry George foi lançado no Festival de Berlim, uma platéia comovida recebeu com aplausos o diretor e parte do elenco liderado por Don Cheadle (Traffic).

 

O filme – agora disponível no Brasil em DVD  –  é a história real de Paul Rusesabagina, um gerente de hotel  que em 1994 salvou milhares de pessoas durante a carnificina da guerra civil entre as tribos rivais dos Hutus e os Tutsis. 

 

Paul é Hutu e sua mulher é Tutsi.  Ele havia sido treinado na Bélgica para administrar o hotel quatro estrelas Mil Colinas, localizado em Kigali, capital da Ruanda, quando a tensão secular crescente explodiu em uma guerra total.  Durante cem dias, perto de um milhão de pessoas morreram baleadas, queimadas ou esquartejadas, num dos massacres mais sangrentos de todos os tempos e que a comunidade internacional fez muito pouco para evitar ou sequer tentar interromper. 

 

Num comportamento que já foi comparado ao episódio tratado em A Lista de Schindler, Paul escondeu na propriedade 1200 Tutsis,  entre eles alguns empresários e políticos, que seriam os primeiros alvos dos Hutus.

Na coletiva com os jornalistas, George falou do que mais o atraiu para realizar o filme:  “ é uma história humana com forte fundo político”, afirmou.

Na verdade, é a história de uma alma humanitária tentando superar a si mesmo para salvar vidas, e traz a público, de forma contundente, uma enorme tragédia que passou praticamente despercebida aos olhos do mundo.

 

George – roteirista de Em Nome do Pai, de Jim Sheridan e diretor de Mães em Luta, sobre a história recente da Irlanda do Norte – enfrentou alguns obstáculos para realizar seu filme.

 

“Entre os mais de 10 mil figurantes, havia na equipe congoleses, ruandeses, sul africanos e outros grupos étnicos com fortes divergências entre si”, contou George, complementando que foi necessário pacificá-los para superar algumas tensões.

 

Don Cheadle se supera como ator, dando uma notável credibilidade ao papel de Paul e sua luta intensa para manter aquelas pessoas dentro do hotel – com os suprimentos  acabando e  membros de seu staff se revoltando  – e ao mesmo tempo,  administrar a  situação decorrente da violência brutal lá fora, onde quase um milhão de africanos estavam sendo sacrificados.  Com muita justiça ele foi indicado ao Globo de Ouro para melhor ator, bem como Hotel Ruanda para melhor filme.  

 

Nick Nolte faz o coronel americano que vê o que está acontecendo, informa aos seus superiores, pede ajuda para parar o massacre e é ignorado. Como a história é real, fica a mensagem de que também as Nações Unidas não avaliaram devidamente o terrível genocídio que estava acontecendo ali.

Apesar dos dez anos decorridos, o trauma ainda vivo na mente da população fez com que a idéia inicial de locar o filme em Ruanda fosse mudada. 

 

“Preferimos transferir para Johannesburgo.  Além da ausência de infra-estrutura no País, a  tragédia está muito presente na memória de seus habitantes; seria uma decisão equivocada rodar o filme lá”, avaliou o diretor, acrescentando que, por outro lado, a lembrança do massacre foi  paradoxalmente um ponto importante para a superação de muitos obstáculos na realização do filme.

 

Hotel Ruanda é um filme muito importante e precisa ser visto por todos que, de uma forma ou de outra, priorizam os seres humanos em suas ações e atividades.  Não apenas para  mostrar como uma única pessoa pode fazer a diferença e minorar uma tragédia coletiva, mas também para lembrar que a indiferença mundial para o problema – além de perdurar na região, onde refugiados de Ruanda e outros países do continente mantém suas divergências num barril de pólvora que pode voltar a explodir a qualquer momento – ocorre igualmente em outras esferas do cenário mundial.




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