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A Vida é Feita de Escolhas

por Myrna Brandão

 

Com base nessa premissa, o diretor Michael Apted teve a idéia de realizar um documentário reunindo um grupo de pessoas – quando tinham 7 anos de idade – e a cada sete anos voltou a entrevistá-las para continuidade da série.

 

Sete anos depois, o cineasta inglês chega agora a 49 UP – selecionado para o Festival de Nova York – e o resultado é muito interessante, principalmente o relacionado com as diferenças individuais e com as decisões de cada um sobre os rumos de suas vidas.  É sabido que ela é feita de escolhas, mas uma questão que o filme coloca é até que ponto nós podemos interferir e mudar algumas artimanhas do destino. 

 

49UP – que pega uma fase dessas pessoas já na maturidade – traz depoimentos e constatações de todos os tipos: alguns dolorosos, outros constatando que embora levando uma vida confortável não são felizes; outros de pessoas que planejaram o que iriam fazer e cumpriram; alguns que mudaram completamente seus planos iniciais; outros que tiveram reveses graves, mas deram a volta por cima; enfim – como era de se esperar – a diversidade e também a adversidade são fatores constantes na vida de todos.

 

E é nessa diferenciação que reside um dos principais resultados da série, embora não tenha atingido plenamente um de seus objetivos iniciais: servir também como uma olhada para o futuro da Inglaterra.

 

A que mais se aproxima desse alvo é a incrível história de Neil Hughes. No primeiro da série, ainda adolescente, Neil tinha tudo para ter um futuro muito promissor.  Por razões relacionadas com um dos períodos mais duros e sombrios da Inglaterra, na década de setenta ele se tornou um homem sem teto aos 28 anos.  Hoje, após uma surpreendente superação de muitos obstáculos, Neil vive numa cidade rural do meio oeste americano e é um político local bastante respeitado.

 

Outro depoimento interessante é o de participante que,  na sua juventude, declarou que não ficaria  na empresa – na qual trabalhava como um simples empregado –  por mais de um ano. Hoje aos 49 anos ele está na mesma situação, como um carregador em Heathrow e, aparentemente satisfeito, já que  não tem planos para sair de lá.

 

Uma das descontentes com a série é Jacqueline Bassett (Jackie). “Sei que você vai editar este programa da maneira que você vê e eu não tenho nenhum controle sobre isso”, diz ela contrariada.

 

E assim vão desfilando os depoimentos na tela: Nicholas Hitchon – que aparece como Nick – está casado novamente com uma bonita e jovem mulher.

 

Tony Walker não se tornou um jóquei, como planejou, mas hoje  é um ator amador e continua casado com Debbie.  Os dois aparecem felizes e curtindo os netos em sua segunda casa na costa espanhola.

 

Outros personagens pressentiram para onde suas vidas iriam seguir. Garotos ricos na adolescência, foram para Cambridge ou Oxford e se transformaram em advogados e juízes exatamente da maneira como  planejaram.

Lynn Johnson, por sua vez, ainda mantém seu emprego de bibliotecária e Bruce Balden é hoje um professor em St. Albans

 

Ainda dentro de uma das premissas iniciais de contar também um pouco da história da Inglaterra  umas poucas referências negativas ao Ministro Tony Blair dão a medida de sua popularidade e refletem  o espírito atual do País.

A série 49 UP vai fundo na vida dos entrevistados, é bem filmada, atrativa  e permite uma visualização muito interessante sobre a capacidade ou não que as pessoas têm de aceitar o que lhes é determinado ou de tomar as rédeas de suas vidas e escolher o verdadeiro rumo que desejam dar a elas.

 

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