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Fidelidade à Empresa Versus Responsabilidade Social

Como agir quando o produto fabricado pela empresa onde você trabalha pode prejudicar a saúde?

 

por Myrna Silveira Brandão

 

Obrigado por Fumar (Thank You for Smoking), de Jason Reitman, baseado no livro de Christopher Buckley,  é uma sátira sobre a indústria do fumo e das artimanhas de um lobista da área.

 

Ele é Nick Naylor (Aaron Eckhart), separado da mulher e muito ligado no seu filho Joey, de 12 anos. O garoto é bastante influenciado pelo pai que, ao lado da profissão que exerce, precisa se esforçar  para se tornar um bom exemplo para Joey.

 

Mas as coisas não correm fáceis para ele, que faz até conferências em escolas, para melhorar a imagem de sua empresa na guerra pela qual passa a indústria do tabaco.   Para isso, ele conta com a cumplicidade de Polly (Maria Bello), uma lobista da área de bebidas  e com Bobby Jay (David Koechner), defensor dos interesses da indústria armamentista, com quem se encontra sempre para trocarem figurinhas sobre o seu trabalho.

 

Logo de imediato o filme propicia uma reflexão e um interessante debate sobre a situação / posição de gerentes e empregados que trabalham em organizações como a retratada no filme. Além disso, aborda temas relacionados com alianças, ética corporativa, fidelidade à empresa, liberalidade, meio ambiente, mentoring, modelos mentais, negociação, paradigmas, raciocínio lateral, relacionamento entre pais e filhos, responsabilidade social e valores. 

 

William Macy interpreta um senador progressista de Vermont, Ortolan Finistirre, um ferrenho anti tabagista, envolvido numa  campanha feroz para que seja colocado o desenho de uma caveira em cada maço de cigarro. E Robert Duvall interpreta o personagem conhecido por O Capitão, que chefia uma academia de estudos a favor do tabaco. 

 

Completam o excelente elenco Sam Elliott, Rob Lowe e Katie Holmes, que vive uma repórter ambiciosa  e de ética duvidosa.  

 

O cinema já abordou o tema em outros filmes. Um deles – O Informante, de Michael Mann – seguia a história real de Jeffrey Wigand, um químico demitido da Brown & Williamson, porque se recusou a continuar cooperando em pesquisas para aumentar a eficácia dos efeitos da nicotina nos cigarros fabricados pela companhia. 

 

Assim, como outros do gênero, O Informante tem um viés altamente dramático, o que não acontece com o trabalho de Reitman, uma comédia leve de diálogos curtos, muito inteligentes e com muitas cenas hilariantes. 

 

Mas o filme não é apenas uma história engraçada sem maiores conseqüências.  Ao contrário,  é inovador, criativo, leva à reflexão e, acima de tudo, propicia um interessante debate sobre um assunto polêmico e cada vez mais presente nas organizações e na sociedade como um todo. 

 

Uma curiosidade: em face do sucesso com a crítica e o público, o filme foi adquirido pela Fox Searchlight por US$ 7 milhões, depois de uma queda de braço com a Paramount, que perdeu os direitos sobre ele por não ter tido o cuidado de formalizar o acordo verbal que havia feito com os produtores.

 

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