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Boa Noite

A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E O PAPEL DA MÍDIA

Filme resgata famoso confronto da época do McCarthysmo 

 

Por: Myrna Silveira Brandão

 

Good Night, and Good Luck (Boa Noite e Boa Sorte) filme de abertura da 43a  edição do Festival de Nova York,  é o segundo longa de George  Clooney, que estreou com sucesso na direção com Confissões de uma Mente Perigosa, sobre a vida de Chuck Barris, criador e apresentador de programas de auditório na tevê americana, muito populares na década de 70, entre eles The Dating Game e The Gonf Show.

 

Neste seu novo trabalho, Clooney volta ao mundo da tevê, desta vez abordando o confronto nos anos 50 entre o Senador McCarthy  e o famoso correspondente de notícias da rádio e tevê Edward Murrow.

 

Ao abordar o assunto, Good Night and Good Luck, também vai fundo no alerta quanto ao medo dominante no mundo de hoje e as conseqüência daí advindas para as liberdades individuais, de expressão, e em última análise, para as instituições democráticas.   Nada mais atual num mundo que quase sempre vê perseguidores em cada pessoa, atos e manifestações.

 

O filme de Clooney reproduz fielmente, num tom quase documental,  o clima sombrio da época do McCarthysmo e toma um cuidado especial para não ser panfletário nem parcial.

 

Por isso, Clooney optou em não colocar um ator interpretando McCarthy a fim de não parecer caricato ou exagerado em criar um retrato pouco favorável dele.

 

Se isso acontece, decorre da participação do próprio senador, que é mostrado defendendo as acusações que fazia, atacando Murrow com suas próprias palavras e defendendo o seu currículo de realizações.

 

Murrow é vivido por David Strathair  num magistral desempenho, que consegue transmitir com perfeição a heróica resistência do jornalista e sua luta pela liberdade de expressão em tempos tão difíceis.

 

Para que a verdade venha à tona, é imprescindível não ter medo, como Murrow deixa claro numa seqüência na sala de notícias  para sua equipe,  afirmando que  iria   em frente com a história apesar da pressão de todos os níveis do governo e até de seus superiores na própria rede.   “ o medo está nesta sala”, afirmou.  

 

Como jornalista, Murrow apresentava os dois lados da história, mas ele também sabia que – quando a verdade está preponderantemente de um lado –  era vital indicar esse lado para o espectador.

 

O filme também teve o cuidado na reprodução fiel dos estúdios dos anos 50, um pouco clustrofóbicos, já que não havia nenhuma grande sala de notícias, como vemos hoje nas grandes redes de tevê.  Na época eram estúdios muito pequenos com uma câmera quase colada ao repórter e uma pessoa encarregada de ajudar na edição, que ficava espremida entre as paredes da sala.

 

Outro achado  foi o uso de jazz vocal dos anos 50 como uma transição de uma cena para a seguinte e que contribui muito para identificar a depressiva fase política e , ao mesmo tempo, toda a riqueza artística que permeava a época.

 

O filme é pródigo em discorrer sobre  figura íntegra de Murrow e os fatos que o levaram a defrontar-se com o senador.  Segundo todas as informações disponíveis,  foram os mesmos  que o levaram  a confrontar-se com o fa

scismo e o nazismo dos anos 30 e 40, como é evidenciado no filme.

Clooney – que também é filho de um jornalista, Nick Clooney que escreve para o The Post – realizou, além de um importante resgate histórico na área jornalística, um libelo pela liberdade das instituições democráticas.




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