13/06/2017

Aposentadoria na era da longevidade: maldição ou benção?

por Maria Gurgel*

Ultimamente, um dos principais assuntos no país é a previdência. O que se percebe é que as pessoas estão abertas para iniciar uma conversa sobre aposentadoria, mas o assunto não desenvolve. É como se elas estivessem em estágio de “negação”, seja por acreditarem que  estão fazendo o suficiente, seja por se tratar de um assunto chato ou até mesmo por acharem que “não conseguem nem sobreviver ao hoje, que dirá lá na frente”. No fim das contas, por diversas razões, ninguém quer discutir o assunto.

Por todos os lados, somos inundados por estatísticas demonstrando que a longevidade é uma realidade. No Brasil, em 2060, seremos mais de 5 milhões de nonagenários e mais de 500 mil centenários. Desde 1840, a expectativa de vida tem crescido 2 ou 3 anos a cada década. Uma criança nascida em 2007, em países desenvolvidos, tem 50% de chance de viver até os 104 anos, as nascidas em 1997 alcançarão 101 ou 102 anos e assim por diante. Por que então longevidade importa? Fazendo uma conta bem simples, antes se trabalhava de 30 a 35 anos e se aposentava por um período de 15 a 20 anos em média. Com a longevidade, esse período que hoje chamamos de aposentadoria pode chegar a 35, 40 anos, ou até mais. Mas por que a longevidade importa? A resposta é muito simples: a conta não fecha. Quais as alternativas? Trabalhar mais, poupar mais, se arriscar mais ou se contentar com uma aposentadoria bem menor do que se esperava.

O preocupante é que alguns consideram utópico transformar esse período em uma benção. Ao contrário, pode ser até bem simples se as pessoas tiverem disciplina. O primeiro passo é reconhecer que o tema existe, pois como diria Woody Allen: “Me interessa o futuro porque é o lugar onde vou passar o resto da minha vida”.  O segundo passo é tratá-lo com naturalidade, como um assunto do nosso dia a dia, respondendo perguntas como: “Quanto vou custar na aposentadoria?”,  “Preciso ajustar o padrão de vida atual para que tenha recurso para investir no futuro?”, “Quanto é preciso poupar?”, “De que forma poupar?”, “O que fazer para gerar renda aposentado (a)?”. Uma vez endereçadas essas perguntas, vem a parte mais importante: disciplina e foco. Monte seu plano de ação e não se desvirtue do mesmo. Se for para mudar, que seja para torná-lo ainda mais robusto. Quando o assunto é previdência, mais do que os valores envolvidos inicialmente, o principal é começar e ter disciplina. A migração para valores e ações mais precisas vem com o tempo.

Sim, aposentadoria em tempos de longevidade pode ser uma benção em nossas vidas, se dermos a prioridade correta e construirmos, o quanto antes, o nosso projeto de futuro. Uma postura proativa agora tornará nosso amanhã em um momento de paz, descanso e recompensas merecidas, como toda aposentadoria deve ser. E isso depende exclusivamente de nós.

*Presidente da Valia